Faz sentido pagar 300€ por noite para ficar num hotel de cinco estrelas e, depois, ainda ter de deixar um rim para comer um pacote raquítico de salgadinhos, um saquito com meia dúzia de amêndoas ou uma mini lata de Pringles? Não faz. E, no entanto, essa continua a ser a prática de muitos hotéis de segmento médio / alto. No segmento luxo, porém, a lógica começa a mudar.

Como refere a "Condé Nast Traveler", disponibilizar gratuitamente os conteúdos do minibar (ou “refreshment gallery”, como agora se chamam estes pequenos espaços recheados de mimos nos hotéis Regent, do IHG Hotels & Resorts) tornou-se uma tendência: sejam batatas fritas decadentes nas suítes, sejam sumos naturais e barritas proteicas no ginásio, oferecer snacks aos hóspedes, em vez de lhes cobrar 10€ por uma garrafa de água, é cada vez mais uma forma de criar proximidade e fidelização.

Já aqui falei de um certo hotel de 5 estrelas no Algarve que chegava a cobrar pelas cápsulas de café para a máquina que estava no quarto. Foi o cúmulo do absurdo e motivo pelo qual perdi, assim que entrei no quarto, qualquer vontade de estar ali. Mesmo que um hotel seja bonito, com jardins luxuriantes, uma piscina fantástica e uma banheira no meio do quarto, o prazer da estadia desvanece-se perante a visão de uma tabelinha de preços, meio escondida no topo do minibar ou debaixo de um diretório. Abrir um minibar vazio (porquê?!) ou um com garrafas de água a 5€, mini latas de Pringles (porquê sempre Pringles, se nem sequer são exemplo de uma boa batata frita?) a 8€ ou tentações alcoólicas ao preço da trufa branca é um turn-off completo.

Pensar nisto faz-me lembrar, no espectro oposto, um certo motel no Grande Porto que visitei a trabalho (foi mesmo a trabalho, ainda não tive o prazer de pernoitar num motel). Ao consultar o menu, verifiquei que tinha francesinhas (sim, francesinhas!) a 14€. “Nada mau!”, pensei. Quem não gosta de atacar uma sandes de tripla proteína afogada em molho depois de afogar o ganso? Eu aprecio.

Voltando aos minibares.

Uma vez, num resort de cinco estrelas no Algarve, vi duas senhoras estrangeiras de provecta idade, no pequeno-almoço, a encherem itens variados em dois tupperwares. Não um, dois. E não fizeram como nós, portugueses envergonhados, que metem uma sandocha à má fila dentro do saco de praia ou escondem atrás das costas uma banana à saída do buffet. Não. Foi mesmo à grande. Ia ali comida para duas refeições, no mínimo. Também não é incomum ver malta com sacos de supermercado carregados de mantimentos em hotéis fancy. Prova de que, mesmo podendo pagar, ninguém quer sentir-se chulado.

No entanto, e como refere Rob Burgess, fundador do site de viagens Head For Points, um minibar gratuito tem de ser um elemento da estadia que faça a diferença e não um mini frigorífico raquítico com três latas de Coca-Cola, duas Sprites e uma garrafa de água.

Água, refrigerantes, snacks doces e salgados (locais, de preferência), chocolate, duas ou três bebidas alcoólicas e fruta são o ponto de partida para uma experiência mais aconchegante para quem está a pagar bem e quer sentir-se acarinhado desde o momento em que passa a porta de entrada até ao momento em que entra no carro para ir embora.