Viajar em 2026 deixa de ser apenas pegar nas malas e zarpar. De acordo com o TripAdvisor Trendcast 2026, o relatório anual da plataforma baseado na análise de mais de mil milhões de avaliações, pesquisas e reservas, as escolhas dos viajantes estão cada vez mais ligadas ao que a experiência representa a nível pessoal, físico e emocional, e menos ao prestígio do destino.
Depois de anos marcados pelo regresso intenso às viagens e pela lógica de compensação pós-pandemia, começa a surgir uma abordagem mais seletiva e consciente. Os viajantes querem sentir que a viagem acrescenta algo real às suas vidas, seja sob a forma de desafio, ligação humana ou bem-estar. Este enquadramento ajuda a explicar porque é que tendências aparentemente distintas partilham o mesmo propósito.
Um dos sinais mais claros desta transformação é o crescimento das chamadas viagens ativas. O relatório identifica um aumento da procura por experiências associadas a eventos desportivos, desafios físicos e contacto exigente com a natureza. Mais do que lazer, estas viagens funcionam como objetivos pessoais e como extensão de rotinas já existentes. O corpo passa a ser parte central da narrativa da viagem, substituindo o modelo tradicional de turismo passivo.
O Trendcast 2026 mostra que o prazer e o entretenimento não desapareceram, mas estão a ser reinterpretados. Saídas à noite mais contidas, viagens familiares pensadas também para as crianças e o turismo pet friendly estão em alta. Viajar deixa de ser uma fuga e passa a ser uma continuidade da forma como se vive no dia a dia, com as mesmas prioridades e valores.
Tendências no turismo para 2026
- Experiências com propósito: a valorização de atividades que criam ligação com culturas locais, pessoas e causas, colocando o significado acima do estatuto do destino.
- Viagens fisicamente envolventes: escapadinhas pensadas em torno de corridas, trilhos exigentes ou aventuras em ambientes naturais extremos, onde o desafio faz parte da experiência.
- Natureza como experiência intensa: crescente interesse por paisagens remotas e menos acessíveis, em oposição a destinos massificados e previsíveis.
- Famílias com decisões partilhadas: as crianças ganham peso no planeamento, com aumento de experiências educativas e participativas para todas as idades.
- Lazer noturno mais consciente: menos excessos e mais eventos culturais, musicais e sociais, com foco na partilha e no bem-estar.
- Turismo pet friendly em expansão: viajar com animais de estimação passa a critério de escolha, refletindo uma nova noção de família e de experiência completa.