Vamos começar pelo que interessa. Nápoles não é uma cidade para toda a gente. Nem todos os cantos e recantos são instagramáveis. É confusa, caótica e suja nos bairros típicos, e quase é preciso tirar um curso para nos aprendermos a desviar de carros e scooters. Mas apaixona e cativa pela energia vibrante e pela teimosia dos napolitanos e manterem a cidade autêntica, apesar das hordas de turistas que chegam, graças aos voos low cost que aterram no Aeroporto Internacional de Nápoles-Capodichino.
Além de autêntica, é uma cidade barata, desde a comida ao alojamento, passando pela viagem até lá. A Ryanair tem voos diretos de Lisboa para Nápoles às segundas, quartas e sextas e, se comprar com alguma antecedência, consegue preços abaixo dos 100€. As temperaturas são amenas ao longo do ano (a TRAVEL MAGG visitou a cidade em novembro e os termómetros rondavam os 19ºC - 21ºC) e os atrativos não se esgotam na cidade. A meia hora de carro ficam as ruínas de Pompeia, cidade que ficou soterrada debaixo da fúria do Vesúvio, e, para quem procura sol e dolce fare niente, as ilhas de Procida, Capri e Ischia.
Mas voltemos a Nápoles.
Inaugurado em 1908, depois de uma construção em tempo recorde, apenas 10 meses, este hotel de quatro estrelas, que entrou em 2025 para o portefólio do grupo Eurostars, é uma testemunha viva da história da cidade. Sobreviveu às duas guerras mundiais, tendo sido bombardeado e parcialmente destruído em 1943. Foi e continua a ser palco de filmes e séries de televisão, além de acolher estrelas de cinema, cantores, políticos e figuras ligadas às monarquias mundiais (as vivas e as destituídas).
O mármore de Carrara presente um pouco por todo o hotel (e nas casas de banho dos quartos), as mobílias trabalhadas, os cortinados pesados e o papel de parede pintado à mão (uma relíquia que o Excelsior faz questão de manter intacta) conferem ao Excelsior uma aura intemporal. A alma do hotel está presente em todos os pormenores, desde os decorados candeeiros até à célebre escadaria, cuja opulência já figurou em vários filmes e séries italianos.
Desde "Viaggio in Italia", filme de 1954 de Roberto Rossellini, com Ingrid Bergman e George Sanders, à icónica série norte-americana "The Sopranos", o Excelsior tem sido, ao longo de décadas, procurado por produções televisivas e cinematográficas. E a TRAVEL MAGG pôde testemunhar isso uma vez que, durante a nossa estadia, estava a ser rodado o filme biográfico "Solo se canti tu", sobre a vida do cantor italiano Gigi D'Alessio.
No rooftop, o Excelsior dá-nos o que procuramos quando em Itália, e aqui vamos lançar-nos logo aos clichés: la dolce vitta, dolce far niente. De copo na mão, a olhar ora para o Vesúvio, ora para o Castel dell'Ovo, sentimo-nos como uma verdadeira Sophia Loren (a atriz, apesar de ter nascido em Roma, cresceu em Nápoles e, como Maradona, é uma filha adotiva e ícone da cidade).
Gianni Ricci, general manager do hotel desde 2007, foi o nosso cicerone durante a estadia no Eurostars Hotel Excelsior. E poucos hotéis no mundo se poderão gabar de ter um diretor que nasceu no local de trabalho. Literalmente. Os pais de Gianni conheceram-se enquanto trabalhavam no hotel e, numa época em que ainda não havia licenças de maternidade, a mãe acabou por dar à luz na lavandaria, em 1954.
"Ela entrou em trabalho de parto aqui e eu acabei por nascer no hotel", contou-nos, com um sorriso perante o nosso olhar espantado. Gianni esteve sempre ligado à hotelaria, continuando a tradição familiar, tendo começado a trabalhar no setor com apenas 14 anos.
É ele que nos mostra, com indisfarçável orgulho, a suíte presidencial do hotel, decorada originalmente na década de 1920, e cujo salão, com um piano de cauda, serviu de local de composição (e cenário) da canção "Caruso", de Lucio Dalla.
No Ristorante La Terrazza, no rooftop Garden, é possível provar iguarias de inspiração italiana e com ingredientes locais, como a corvina vinda do Mediterrâneo e um clássico napolitano, o babá ao rum, uma sobremesa de origem francesa mas que foi adotada na região e que se vê em todas as pastelarias e restaurantes, em tamanhos modestos ou doses muito generosas (e é delicioso). Aos comandos do restaurante está o chef Ciro Filosa.
Desde o momento em que colocamos o pé na entrada principal do Eurostars Hotel Excelsior até ao simples abrir das portadas do quarto, deixando entrar a luz mediterrânea, tudo neste hotel nos transporta para outros tempos. A decoração opulenta, um pouco ultrapassada (mas dizemos isto de forma ternurenta), o cheiro das madeiras antigas, as camas enormes, as casas de banho ainda maiores, com mármores que resistem às modas, o acto de temperar a água devido às canalizações caprichosas, tornam a estadia especial, longe de perfeições anódinas que se podem encontrar em qualquer hotel novo ou renovado de forma a ir ao encontro de padrões insípidos.
Nápoles é antiga e imperfeita, mas resiste à passagem do tempo (e de abalos do Vesúvio), e o Eurostars Hotel Excelsior é o refúgio perfeito para descansar depois de passear nas suas ruas: com História, temperamento e muitos detalhes.
O preço por noite no Eurostars Hotel Excelsior começa nos 150,30€ (só alojamento) para a noite de 24 para 25 de janeiro em quarto duplo clássico. A TRAVEL MAGG ficou instalada num quarto duplo superior com vista para o mar (208,32€).
* a TRAVEL MAGG visitou Nápoles a convite do grupo Eurostars