Uma vez por ano, Davos deixa de ser uma estância discreta e transforma-se no palco onde presidentes, CEOs, ativistas e celebridades se cruzam. No vale dos Grisões, a maior região de férias da Suíça, tradição de diálogo e logística afinada juntam-se para criar o encontro mais mediático do planeta em pleno inverno.

Enquanto o resto dos Alpes vende forfaits e fondue, Davos recebe o Fórum Económico Mundial (WEF), este ano sob o tema “A Spirit of Dialogue”. O diálogo possível, num ano em que está iminente a ameaça de tomada de território europeu por parte dos Estados Unidos.  O World Economic Forum nasceu nos anos 1970 como encontro de gestores europeus e cresceu até se tornar a cimeira onde líderes políticos, grandes empresas, académicos e sociedade civil se sentam lado a lado. 

A cidade com pouco mais de 10 mil habitantes tornou-se palco deste encontro por uma combinação única de fatores: o vale isolado, com apenas uma estrada principal, facilita a segurança; a cidade pequena cria a famosa “bolha Davos”, onde encontros informais em hotéis, teleféricos ou corredores valem tanto quanto as sessões oficiais; e a estância já contava com hotéis de qualidade, pistas de ski e serviços preparados para visitantes de inverno. Acresce ainda o charme alpino e a tradição de diálogo, que transformam montanhas e neve num cenário perfeito para debates globais e networking discretamente mediático.

Turismo de neve e experiências locais

Quem chega sem acreditação de participante descobre mais de 200 quilómetros de pistas ligadas a Klosters, com montanhas como Jakobshorn, Parsenn ou Rinerhorn. Há pistas intermédias, snowparks, percursos de esqui de fundo, trilhos de inverno e patinagem no gelo. Funiculares levam a miradouros panorâmicos que, durante o WEF, servem de cenário a entrevistas em direto.

Fora das pistas, o Lago Davos congela em postal, spas e centros de bem-estar mantêm a tradição de estância de cura, e o calendário cultural prossegue com festivais como o Davos Klosters Sounds Good. Muitos visitantes adoram o contraste: tomar café na Promenade ao lado de delegados e, meia hora depois, subir num teleférico com snowboarders.

O WEF elevou a oferta hoteleira de Davos, combinando cadeias internacionais, hotéis históricos e pequenos chalés alpinos. Durante a cimeira, muitas unidades transformam-se em quartéis-generais de delegações e multinacionais, bloqueadas meses antes e com preços elevados. Fora do evento, funcionam como base de férias na neve, com spas, restaurantes de montanha e serviços para esquiadores. Entre as opções destacam-se o Steigenberger Grandhotel Belvédère, elegante e clássico, e o AlpenGold Hotel Davos, moderno e funcional, ambos com vistas espetaculares sobre o vale e serviços pensados para hóspedes de inverno.

A gastronomia em Davos segue a tradição suíça de montanha: fondues, raclettes, pratos de caça, rösti e produtos locais. Durante o WEF, restaurantes tornam-se extensões informais das salas de reunião, com jantares privados e muito networking por cima de panelas de fondue.

Para turistas, o segredo é explorar horários fora da época alta, reservar com antecedência e descobrir esplanadas de montanha acessíveis por teleférico. Cafés e pastelarias na Promenade oferecem outro tipo de observatório: entre chocolate quente e Apfelstrudel, é possível ver delegações, segurança e jornalistas em corrida permanente.

Chegar a Davos não podia ser mais fácil, mesmo para quem não tem jato privado: Voar Zurique, seguir de comboio até Landquart e daí apanhar a linha panorâmica até Davos, em cerca de duas horas – neve na janela e zero stress. Há também ligações rodoviárias, transfers privados e shuttles durante o WEF, mas as estradas podem ter controlos e filas.