Castelo de Villandry
Com os seus jardins monumentais, este castelo do século XVI vale uma visita só por si. Na iniciativa deste ano do Nöel aux pays des Châteaux, a natureza entrou dentro do castelo. Literalmente. Heras que cobrem as mobílias, pássaros, veados, esquilos, ratinhos, raposas brancas e toda uma profusão de decorações transformam este castelo idealizado por Jean Breton, ministro das finanças do rei Francisco I, numa floresta encantada.
Passeando pelas várias divisões do castelo é possível também contemplar os jardins de Villandry. São, no total, 7 hectares, divididos em seis jardins, espalhados por quatro níveis, com uma grande diversidade de flora.
Outrora uma fortaleza na Idade Média (da qual ainda resta a torre de menagem), o castelo de Villandry como hoje o conhecemos foi construído no século XVI por ordem de Jean Breton. A propriedade conheceu vários donos ao longo dos séculos, estando nas mãos da família Carvallo desde o início do século XX.
Além de apreciar as decorações de Natal, recomendamos vivamente que se delongue tanto no palácio, onde pode apreciar o tecto do salão oriental, composto por 3600 peças de madeira, uma obra-prima do estilo mudejar e que - curiosidade gira - foi trazido de Toledo, Espanha, do palácio dos duques de Maqueda, para Villandry. Os jardins, com os seus arbustos ornamentais, um labirinto, um jardim de sol e até uma horta decorativa, também merecem uma visita.
Cidade real de Loches
A fortaleza de Loches é a única do circuito Nöel aux pays des Châteaux que remonta à Idade Média. Com apenas 7000 habitantes, a pequena comuna de Loches foi, outrora, epicentro das rotas comerciais europeias. Era por esta cidade que passavam mercadores vindos de este e oeste, uma rota que acabou abruptamente por razões infraestruturais: a ponte medieval caiu, as rotas comerciais desviaram-se e Loches foi-se tornando menos importante no Vale do Loire.
Esta perda de importância fez com que o centro histórico mantivesse a sua encantadora traça medieval, merecedora de uma visita e uma caminhada pelas ruas íngremes até à fortaleza. É ali que encontramos a concretização do tema natalício de 2025, "Alice no País das Maravilhas".
Loches é também um ponto importante na história de Joana d'Arc. Foi ali que a santa e heroína francesa, que combateu contra os ingleses na Guerra dos Cem Anos, se encontrou com o rei Carlos VII para o convencer a ser coroado em Reims. Uma visita à cidade real de Loches não está completa sem uma passagem pela masmorra, localizada a poucos metros da fortaleza. Este edifício, construído entre 1013 e 1035 pelo conde de Anjou Foulques Nerra, resistiu à passagem do tempo e mudanças políticas, e é um marco histórico singular.
Castelo de Chenonceau
Com quase um milhão de visitantes por ano, o Château de Chenonceau é não só como o mais conhecido da região do Loire, mas também um dos mais grandiosos e encantadores de França. Este castelo percorre o rio Cher através de uma galeria que simboliza, desde sempre, a paz e a celebração da vida.
Nesta época natalícia, Chenonceau veste um cenário inspirado no Grande Norte, concebido pelo cenógrafo floral Jean‑François Boucher, cuja decoração branca e imaculada se tornou um motivo de fascínio para os visitantes que muitas vezes se aproximam para o felicitar ou tirar selfies. Visitar este castelo no Natal é testemunhar um trabalho que começa em outubro, com a criação do conceito, e cuja montagem demora cerca de uma semana, usando materiais verdadeiros.
O castelo nasceu no início do século XVI, em 1513, por iniciativa de Thomas Bohier, cobrador de impostos da corte, que viria a ser resgatado pelo favor real. A sua história está intimamente ligada a figuras femininas poderosas: foi sob a influência de Diana de Poitiers, amante de Henrique II, que Chenonceau ganhou grande parte da sua elegância arquitetónica e os jardins que ainda hoje encantam.
Após a morte de Henrique II em batalha, Diana, vinte anos mais velha que o rei, teve inicialmente de devolver o castelo, mas acabou por o adquirir como propriedade privada em troca de outra residência entregue à rainha Catarina de Médici. Catarina, rainha e patrona das artes, transformou Chenonceau num epicentro de festas e jantares de corte, apesar de ter tido dez filhos em doze anos, dos quais sete sobreviveram até à idade adulta.
Chenonceau atravessou os séculos sem se tornar um castelo de guerra, mas antes um símbolo de paz e acolhimento. Durante a Segunda Guerra Mundial, a sua famosa galeria serviu como passagem neutra entre as zonas ocupadas e livres, reforçando o papel singular que este lugar desempenhou na história francesa.
Em 1913, a família Menier adquiriu o castelo, garantindo a sua preservação, e hoje a administração continua a ser liderada por uma mulher, mantendo viva a tradição de liderança feminina que marcou grande parte da sua história. Após a visita aos salões magníficos e jardins soberbos, a experiência pode terminar com uma prova de vinhos da propriedade na Cave des Dômes, enquanto se saboreia o rillon, um prato tradicional de carne de porco em conserva que remete para a riqueza gastronómica desta região do Loire.
Castelo de Amboise
Com a vila de Amboise de um lado, o rio Loire do outro e um palácio que domina a paisagem a partir do alto, o Castelo Real de Amboise é um dos cenários mais simbólicos do Vale do Loire. Na discreta capela de Saint-Hubert repousam os restos mortais de Leonardo da Vinci, que viveu na região nos últimos três anos da sua vida e pediu para ser ali sepultado, selando para sempre a ligação entre Amboise e o génio do Renascimento.
Erguido sobre uma antiga fortaleza medieval, Amboise ganhou a sua forma palaciana no século XV e atingiu o auge durante o Renascimento. A arquitetura clara e aberta reflete essa modernidade e explica porque foi residência preferida de vários reis de França, entre eles Carlos VIII, Luís XII e Francisco I, ao longo de cerca de 150 anos. Durante o seu período de maior esplendor, o castelo funcionava como verdadeiro showroom do poder real francês, concentrando decisões políticas, receções diplomáticas e festas sumptuosas.
No seu apogeu, o Castelo de Amboise chegou a ter cerca de 300 quartos e a propriedade acolhia aproximadamente 10 mil pessoas, entre membros da corte e servidores. Como aconteceu com outros châteaux do Loire, a base medieval nunca desapareceu totalmente, mas foi adaptada para responder a uma nova ideia de poder, menos defensiva e mais simbólica. Após dois séculos de abandono, o castelo conheceu um renascimento no século XIX, recuperando parte da sua grandeza histórica e cultural.
Em 2025, Amboise reforça essa vocação narrativa com a decoração de Natal intitulada "Ô Beaux Sapins!" (Ó, belos pinheiros!"). O tema coloca os pinheiros no centro do storytelling, transformando cada árvore numa personagem com identidade própria e sonhos distintos: da árvore que queria ser rei à que sonhava ser pintada num quarto, passando pela árvore de açúcar glaceado ou pela de flores negras. O presépio, vindo de Nápoles e criado pela Bottega Ferrigno, acrescenta uma dimensão artesanal a uma cenografia que o castelo apresenta pelo nono ano consecutivo, confirmando Amboise como um dos palcos mais criativos do Natal no Vale do Loire.
Para visitar os castelos do vale do Loire (no âmbito da iniciativa Nöel aux pays des Châteaux ou em qualquer altura do ano) o ideal é alugar carro. A Transavia tem voos diretos de Lisboa, Porto e Faro para Paris (Orly). Pode seguir de carro desde a capital francesa até Tours ou, se preferir, fazer a viagem de comboio de alta velocidade desde a estação de Paris - Montparnasse até Saint Pierre Des Corps. Dali, o comboio regional Rémi leva-o até ao centro de Tours. Os preços começam nos 61,90€ (ida e volta), de acordo com simulação no site da SNCF Connect.