Candidato à presidência da República, André Ventura revelou este sábado o primeiro cartaz eleitoral para a corrida a Belém. Concomitante com a agenda anti-imigração do CHEGA, o líder da direita radical surge num outdoor onde se pode ler “Isto não é o Bangladesh”.
Segundo dados do PORDATA, apenas 1,6% da população estrangeira a viver em Portugal é oriunda deste país asiático, sendo o Brasil o primeiro país de origem dos imigrantes a viver no País (29,3%). Um facto que pode surpreender muitos portugueses (e também André Ventura... ou talvez não).
Mas vamos a mais factos.
Com aproximadamente 170 milhões de habitantes, o Bangladesh é um dos países mais densamente povoados do planeta. Situado no encontro dos rios Ganges-Padma, Jamuna e Meghna, molda-se sob planícies férteis e ilhas que surgem e desaparecem com as monções. A maioria da população é muçulmana sunita, coexistindo com minorias hindus, budistas e cristãs. O país integrou o Império Mogol, passou a constituir o Paquistão Oriental após a partilha do subcontinente em 1947 e conquistou finalmente a independência em 1971, após uma guerra sangrenta que definiu a identidade nacional.
O Bangladesh é um mosaico de contrastes: fragilidades na segurança, instituições em tensão, um passado complexo. E simultaneamente, locais que desafiam o “Não” com beleza, cultura e história. Aqui estão 10 desses locais, sabores e paisagens.
10 razões que mostram o Bangladesh para lá do estereótipo
Instabilidade política e insegurança fazem disparar diáspora
A última década — e em particular o verão de 2024 — tornou o Bangladesh um destino praticamente proibido para viajantes em lazer. Protestos estudantis escalaram para confrontos violentos que, segundo estimativas das Nações Unidas, terão causado mais de 1.400 mortos. O governo acabaria por cair e um executivo interino tenta hoje estabilizar um país onde a ideia de segurança continua a ser relativa.
A criminalidade permanece elevada, manifestações pacíficas podem tornar-se perigosas em minutos e há regiões classificadas por autoridades internacionais como “Não viajar”, devido ao risco de violência e sequestros. O Bangladesh é um lugar de grande beleza, mas também de grande vulnerabilidade.
Desde 2023 que o Bangladesh tem registado um aumento expressivo da emigração por razões laborais ou de instabilidade, posicionando-se entre os países com maior diáspora do mundo. Em 2023, mais de 1,3 milhões de trabalhadores bengalis deixaram o país — um crescimento de 13 % face ao ano anterior. A diáspora supera os 7,4 milhões de pessoas, muitas das quais trabalham em países do Médio Oriente como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. As principais motivações incluem falta de emprego formal de qualidade, vulnerabilidade às alterações climáticas que transformam zonas habitáveis em risco e uma economia que não cresce ao ritmo das expectativas de milhões de jovens.
Os bengalis que chegam a Portugal não viajam por capricho. Mudam de país para fugir à instabilidade, para procurar trabalho digno, para escapar a perseguições políticas ou religiosas, ou simplesmente para garantir um futuro que, por agora, o seu país ainda não consegue assegurar.