A atuação de Bad Bunny no intervalo da Super Bowl foi um hino visual ao continente americano. Entre coreografias e bandeiras, houve um detalhe que passou rápido mas ganhou nova vida nas redes sociais: Bonaire. A pequena ilha das Caraíbas, território especial do Reino dos Países Baixos, teve ali segundos de exposição global.
O momento não ficou esquecido. As entidades de turismo procuraram (e encontraram) o porta-bandeira e transformaram o instante mediático numa oportunidade para se posicionar como destino alternativo. Num Caribe associado a cruzeiros, resorts gigantes e praias cheias, Bonaire surge como contraponto: menos turismo, mais autenticidade.
Com pouco mais de 20 mil habitantes, a ilha vive a um ritmo próprio. Fala-se papiamento, neerlandês, inglês e espanhol, reflexo de uma história que cruza influências europeias e latino-americanas. A arquitetura colorida de Kralendijk convive com paisagens quase desérticas, cactos altos e uma costa recortada onde o azul do mar domina tudo. Aqui, o luxo não está em grandes infraestruturas, mas no espaço, no silêncio e na proximidade com a natureza.
A capital do mergulho nas Caraíbas
Bonaire integra o chamado Caribe holandês, com Aruba e Curaçao, e situa-se ao largo da costa da Venezuela. Está fora da principal rota dos furacões, o que garante clima estável durante grande parte do ano, fator que pesa na escolha de quem quer planear férias com menor risco de surpresas meteorológicas.
A capital, Kralendijk, mantém escala humana: casas baixas, fachadas em tons pastel e restaurantes virados para o mar. Ao final do dia, mergulhadores regressam com o equipamento ainda molhado, enquanto visitantes e locais se encontram no waterfront para ver o pôr do sol. Não há grandes bares nem centros comerciais, e é precisamente essa ausência que define a experiência.
Há décadas que Bonaire é considerada um dos melhores destinos de mergulho do mundo. O Bonaire National Marine Park protege os recifes desde os anos 1970, permitindo níveis de conservação raros na região. São mais de 80 pontos identificados, muitos acessíveis diretamente da costa.
Mesmo para quem prefere snorkel, locais como 1000 Steps ou Salt Pier revelam corais, esponjas gigantes e tartarugas a poucos metros da superfície. A transparência da água e a facilidade de acesso tornam a ilha particularmente apelativa para quem quer explorar o fundo do mar sem depender de excursões complexas.
No sul da ilha, as salinas desenham uma paisagem inesperada. Tanques de água cor-de-rosa contrastam com montes de sal branco e céu azul intenso. A tonalidade resulta da elevada concentração de sal e de microrganismos, criando um cenário quase surreal.
É também aqui que se encontra o Pekelmeer Flamingo Sanctuary, uma das maiores áreas de nidificação de flamingos das Caraíbas. A observação de aves junta-se ao mergulho e aos desportos de vento, como kitesurf e windsurf, que aproveitam as condições estáveis da costa leste.
Como chegar e quanto custa
Bonaire tem uma única porta de entrada aérea, o Flamingo International Airport, junto a Kralendijk. Não existem voos diretos de Lisboa ou do Porto. As rotas mais comuns passam por Amesterdão, com ligação direta para a ilha, ou por Curaçao e Aruba, antes da ligação final.
Em época baixa, é possível encontrar voos de ida e volta desde cerca de 650€ a €700, subindo facilmente para 800€ ou 1.000€ em períodos mais concorridos. A duração total da viagem varia entre 13 e 20 horas, consoante as escalas.
A TRAVEL MAGG simulou datas entre 6 e 13 de março: com duas escalas, Lisboa–Amesterdão–Aruba–Bonaire, há opções a partir de 649€, para quem aceitar cerca de 20 horas de viagem. Em troca, encontra um Caribe menos óbvio, onde o maior luxo continua a ser o espaço e o tempo.