Viajar até à Gronelândia no inverno é entrar num dos últimos grandes territórios selvagens da Terra. A ilha, maior que qualquer país europeu e coberta por uma imensa camada de gelo, continua a ser um destino pouco explorado e por isso mesmo tão magnético. Entre auroras boreais, passeios de trenó puxado por cães e mergulhos em águas termais, há um mundo a descobrir no coração do Ártico.

Como chegar

Não existem voos diretos de Portugal para a Gronelândia. As ligações mais frequentes partem de Copenhaga, com a Air Greenland, e de Reiquiavique, na Islândia. A principal porta de entrada é Kangerlussuaq, de onde partem pequenos aviões para outras localidades, como Nuuk (a capital), Sisimiut ou Ilulissat, famosa pelos seus fiordes gelados. Durante o inverno, os voos são menos regulares e podem sofrer atrasos devido ao clima, pelo que convém reservar com antecedência e prever dias extra no itinerário.

De acordo com simulação no Google Flights para uma viagem de 9 a 14 de dezembro, os preços começam nos 972€. Mas é uma odisseia até lá chegar. Começa por voar de Lisboa até Londres pela TAP. Depois Londres - Keflavik (Islândia) com a Icelandic Air e, daí um voo de 2h15 minutos até Nuk. O regresso é mais rápido e tem apenas uma escala na Islândia.

O que ver

Fiorde de gelo
Fiorde de gelo Fiorde de gelo créditos: Tina Rolf / Unsplash

O fiorde de gelo de Ilulissat, classificado como Património Mundial da UNESCO, é uma das paisagens mais impressionantes do planeta. Mesmo congelado, mantém o seu espetáculo de icebergues gigantes e tons de azul elétrico.
Mais a sul, em Nuuk, a vida moderna convive com a tradição inuit — a cidade tem museus, cafés acolhedores e vistas deslumbrantes sobre o mar gelado. Nas noites limpas, as auroras boreais pintam o céu com cores verdes e violeta, visíveis de praticamente qualquer ponto do país.

O que fazer

Os meses frios são perfeitos para atividades que dificilmente se vivem noutro lugar. É possível atravessar vales de neve num trenó puxado por cães, explorar glaciares de mota de neve ou pescar no gelo com habitantes locais. Há também experiências mais tranquilas: caminhar com raquetes de neve, visitar aldeias inuit, ou relaxar nas fontes termais de Uunartoq, onde a água geotérmica atinge os 38 °C, mesmo com o termómetro a marcar temperaturas negativas.

Melhor altura para ir

O inverno groenlandês é longo — e extremo. Entre novembro e março, o frio pode descer abaixo dos -20 °C e o sol mal nasce durante algumas semanas. É precisamente neste período que o país revela o seu lado mais autêntico e mágico, com auroras boreais intensas e paisagens completamente cobertas de neve. Para quem prefere dias um pouco mais longos e temperaturas menos severas, março e abril são meses ideais.

Dicas úteis

  • Vestuário: use várias camadas — roupa térmica, lã e um bom casaco corta-vento. As botas devem ser forradas e antiderrapantes.
  • Alojamento: reserve com antecedência; muitas unidades fecham no inverno profundo.
  • Deslocações internas: entre cidades, as viagens fazem-se de avião, helicóptero ou barco (quando as águas não estão congeladas).
  • Segurança: o clima muda rapidamente — siga sempre as orientações dos guias locais e tenha seguro de viagem abrangente.
  • Moeda: a coroa dinamarquesa (DKK) é a moeda oficial, e cartões são aceites na maioria dos estabelecimentos.

Sites úteis