Viajar sozinho deixou de ser um sinal de solidão para passar a ser, para muitos portugueses, uma escolha deliberada. É essa a principal conclusão de um novo estudo da eDreams sobre as perceções dos portugueses em relação às viagens a solo: a vontade de ter total liberdade de movimentos surge como a razão mais citada, com 40% das respostas, seguida da vontade de experimentar viajar sozinho (35%) e da oportunidade de se conhecerem melhor a si próprios (33%). Só 12% dos inquiridos não conseguiu apontar um motivo que os levasse a optar por uma viagem a solo.
Os números portugueses não são um caso isolado. O mercado global das viagens a solo já vale mais de 549 mil milhões de dólares (cerca de 480 mil milhões de euros), segundo a Grand View Research, e continua a crescer a um ritmo anual acima dos 14%, mais do dobro do crescimento da indústria do turismo em geral. A Europa é, atualmente, a região que mais contribui para este mercado, respondendo por mais de um terço de todas as viagens a solo feitas no mundo.
O que os portugueses levam na mala
Apesar da vontade de liberdade, os dados da eDreams mostram que viajar sozinho não significa viajar sem preparação. O planeamento continua a ser a prioridade número um: quase metade dos inquiridos (45%) considera indispensável levar GPS ou mapas, ter os bilhetes comprados antecipadamente e usar aplicações que ajudem a gerir as atividades da viagem. A segurança surge em segundo lugar (25%), com destaque para cintos porta-dinheiro, kits de primeiros socorros e contactos de emergência, e o conforto fecha o pódio (20%), com roupa e calçado adequados a liderar as escolhas.
Comparando com a edição anterior do mesmo estudo, feita em 2023, as prioridades dos portugueses mantiveram-se notavelmente estáveis: o planeamento já liderava então, com 41%, seguido da segurança e do conforto, ambos na casa dos 24%.
Mais do que uma viagem, um exercício de autoconhecimento
Para além da logística, o estudo sugere que viajar sozinho pode mudar a forma como os portugueses encaram a própria vida. A vantagem mais apontada é o desenvolvimento da autossuficiência (40%), seguida da clareza mental (37%) — muitos inquiridos acreditam que uma viagem a solo os ajuda a regressar com uma visão mais definida dos seus objetivos pessoais. Outros destacam ainda uma maior abertura a diferentes culturas (30%) e o desenvolvimento de empatia e de uma ligação mais profunda com o mundo (20%).
Esta perceção não é, no entanto, unânime entre gerações. Entre os inquiridos com 65 ou mais anos, 37% considera que viajar sozinho não teria um impacto relevante na sua vida. Já entre a geração pós-millennial, mais de metade (53%) acredita que a experiência os ajudaria a perceber que conseguem ser a sua própria melhor companhia em qualquer situação.
Há ainda um dado que pode reforçar a confiança de quem hesita em dar o primeiro passo: Portugal está entre os dez países mais seguros do mundo no Índice de Paz Global 2026, precisamente o critério que mais pesa depois do planeamento na hora de decidir viajar sozinho.
O estudo foi conduzido pela empresa de investigação independente OnePoll para a eDreams ODIGEO, com um inquérito a 9.000 consumidores em sete países — Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Portugal e Reino Unido —, dos quais mil eram portugueses adultos que tinham viajado nos últimos cinco anos.