Quando visitámos as ilhas de São Vicente e Santo Antão a convite da easyJet em parceria com o Instituto do Turismo de Cabo Verde, viviam-se as semanas que antecederiam a estreia da equipa do arquipélago num Mundial de futebol. Em jeito de brincadeira, dissemos ao nosso guia, Alveno Soares, que ainda íamos assistir a uma final Portugal - Cabo Verde. A remota hipótese, recebida com um sorriso de ceticismo, deixava lá atrás escondida a esperança.

Longe estávamos nós, o nosso guia, todos os anfitriões extraordinários que nos receberam nas duas ilhas e, se vamos ser totalmente factuais, todos os cabo-verdianos, os das 10 ilhas e os da diáspora, de sequer imaginar que agora, após a mais gloriosa eliminação de uma competição de que há memória, que o mundo inteiro estaria apaixonado por Cabo Verde.

De acordo com a plataforma de notícias do setor do turismo Skift, a prestação histórica de Cabo Verde no Mundial de Futebol colocou o país no radar global, gerando um aumento recorde de até 800% nas pesquisas turísticas internacionais. Para capitalizar este momento e reduzir a dependência do mercado europeu, o Governo cabo-verdiano vai investir 75 milhões de dólares do Banco Mundial na diversificação do setor e na atração de novos mercados, como o norte-americano.

Este é, como concluímos depois de quatro dias intensos nestas duas ilhas, o momento certo para conhecer Cabo Verde para lá dos resorts e do turismo de massas da ilha do Sal. São Vicente, o berço de Cesária Évora, das montanhas áridas aos areais dourados, do Mindelo musical e gastronómico; Santo Antão, um coração verde e uma costa azul, café, casas coloridas e alojamentos turísticos singulares. Duas ilhas tão diferentes como familiares, da língua à arquitetura, duas ilhas que confirmam aquele cliché que repetimos com gosto: ao fim do dia, são as pessoas que fazem os sítios. E as pessoas destas ilhas são tudo.

São Vicente

O que fazer

1. Visitar o Atelier Luís Baptista (e aprender História da música cabo-verdiana)

Atelier Luís Baptista, São Vicente
Atelier Luís Baptista, São Vicente Atelier Luís Baptista, São Vicente

Numa casinha em Monte Sossego, numa rua colorida do Mindelo, Luís Baptista move-se lesto entre a azáfama instrumental. É na oficina, no primeiro piso da casa, que são feitos à mão cavaquinhos, ukuleles, violas, guitarras e até violinos, para os mais conceituados músicos cabo-verdianos e não só. Filho do mestre Baptista, vulto maior da música cabo-verdiana, Luís prossegue a tradição familiar e, além de artesão de instrumentos, é também músico.

Visitar o Atelier Luís Baptista significa também ter direito a um concerto privado. Funaná, sanjon, morna, coladeira ou mazurca, estilos musicais de Cabo Verde, são servidos como um banquete auditivo. É a forma perfeita de entrar no espírito de São Vicente, terra natal da figura maior do arquipélago e embaixadora da música cabo-verdiana, Cesária Évora.

As visitas requerem marcação prévia.

Atelier Luís Baptista
Monte Sossego, rua 3, porta n 2, Mindelo, Cape Verde, 2111

Contactos: +238 992 66 92; atelierluisbaptista@gmail.com
Site | Facebook | Instagram

2. Dar um mergulho na Baía das Gatas (depois de um passeio pela costa este)

Caso tenha a sorte de estar em São Vicente durante o icónico Festival da Baía das Gatas, pelo amor de Deus não deixe passar a oportunidade de viver ao vivo um dos momentos mais importantes da ilha (também vale a pena o Carnaval do Mindelo, nas datas habituais). Mas, caso não aconteça, urge visitar a Baía das Gatas para um mergulho. A água transparente e calma, protegida das ondas mais inclementes do Atlântico, areia dourada e um pontão ótimo para banhos de sol, fazem do local o spot perfeito para um mergulho refrescante durante um passeio pela costa este da ilha.

Passar pela Praia Grande, com a sua paisagem hipnotizante, parar para ver a gigante duna de areia, pela praia da Salamansa, conhecida pelas ótimas condições para kitesurfing e windsurfing, e terminar no Monteverde, o ponto mais alto da ilha, são atividades que vão proporcionar uma tarde de passeio perfeita.

3. Mindelo by night

Ir a São Vicente e não sair à noite, pelo menos uma vez, para beber um copo e ouvir música ao vivo é como ir a Roma e não ver o Papa. Por 30€ por pessoa, com direito a uma bebida, é possível fazer essa travessia noturna pelo Mindelo com quem conhece a cidade por dentro.

Mural de Cesária Évora, obra do português Vhils
Mural de Cesária Évora, obra do português Vhils Mural de Cesária Évora, obra do português Vhils

A viagem começa com uma passagem pelo mural de Cesária Évora, da autoria do artista português Vhils. Esculpida a berbequim ao longo de três dias, numa parede de dez metros na Praceta Dom Luís, junto à marginal da cidade, a obra retrata o rosto da "diva dos pés descalços", homenageada pelo artista depois de uma viagem de dez dias a Cabo Verde em outubro de 2019. É hoje um dos pontos mais fotografados do Mindelo, tanto por turistas como por locais. Quem guia esta caminhada noturna é Alveno Soares, também criador da visita, que pode ser marcada através da agência Actour.

Bombu Mininu, na Rua São João, no centro histórico
Bombu Mininu, na Rua São João, no centro histórico Bombu Mininu, na Rua São João, no centro histórico do Mindelo

O roteiro começa no Bombu Mininu, na Rua São João, no centro histórico — um espaço criado pela produtora Miriam Simas e pelo bailarino António Tavares, pensado como extensão da própria casa do casal. Ali é possível ouvir boa música em vinil, tomar um chá ou um grogue e ter conversas com sentido, rodeados de arte em todas as paredes, num ambiente que atrai artistas, criadores e agentes culturais locais.

Jazzy Bird
Jazzy Bird Jazzy Bird

Da tertúlia ao jazz, a noite segue depois até ao icónico Jazzy Bird. Fundado em 1997 por Vou Monteiro — figura incontornável da noite mindelense e um dos fundadores do festival Mindel Summer Jazz —, o bar é hoje uma verdadeira instituição musical da ilha. Com música ao vivo de segunda a sábado, o espaço já revelou vários talentos locais e mantém viva a tradição de juntar músicos em palco em formações improvisadas. Entre paredes decoradas com cartazes antigos e uma esplanada que enche depressa ao anoitecer, é o ponto final perfeito para uma noite que resume, em poucas horas, a alma cultural e musical do Mindelo.

4. Mindelo, dos mercados à Casa de Cesária Évora

Edifícios com arquitetura colonial, tons pastel e cores garridas, contrastam com a paisagem em tons ocres. A visão de uma cidade que nos parece familiar choca com a sensação do calor destas latitudes. O Mindelo, segunda cidade mais populosa do arquipélago a seguir à capital, Praia, vive de contrastes. Há pobreza, bem evidente nas construções toscas, sem acabamentos, onde vive grande parte da população. E há um movimento. Novidades. Bares, restaurantes. Coisas novas. Sente-se nas ruas, nas obras, na dinâmica da cidade, que há mudanças, crescimento. E não conseguimos deixar de torcer muito para que seja para melhor.

Podíamos (e vamos) elencar o que deve ver e visitar no Mindelo, mas o que deve mesmo fazer é falar com as pessoas. Parece um cliché (e é, mas dos bons) mas o melhor de São Vicente (e Santo Antão também) são os seus habitantes. A afabilidade, muito diferente da simpatia profissional de outras paragens excessivamente turísticas, e uma forma muito específica de acolher, de fazer sentir em casa.

Na nossa manhã cultural no Mindelo, começámos o dia no CNAD (Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design), e a primeira imagem é logo um soco de criatividade: uma fachada futurista feita de centenas de tampas de metal coloridas, que são também uma partitura musical. Lá dentro, respira-se a vanguarda e a tradição cabo-verdiana de mãos dadas, com tapeçarias e peças de design que nos mostram que a identidade da ilha está mais viva do que nunca.

Dali, seguimos para a Avenida Marginal até à réplica da Torre de Belém. É impossível não tirar a clássica foto com a réplica mesmo à beira da água, antes de entrarmos no Museu do Mar. O espólio que faz-nos mergulhar (literalmente) na história dos naufrágios, nas rotas comerciais e na ligação de São Vicente com o Atlântico.

No Mercado de Peixe, a azáfama de pescadores e a energia contagiante das peixeiras a gritar o peixe fresco do dia, com uma destreza incrível a amanhar a mercadoria. Depois de uma curta visita ao Quintal das Artes, um espaço multicultural com espaços para artesãos, passámos para a Praça Estrela. É um autêntico "centro comercial" a céu aberto, onde os panos africanos coloridos balançam ao vento e onde se vende de tudo um pouco, desde artesanato a roupa. É o ponto estratégico para ficar sentado num banco a ver a vida passar e para comprar as lembranças para a família e amigos.

As paragens seguintes são obrigatórias: a Casa de Cesária Évora e o seu Núcleo Museológico, na antiga residência da artista. Ver de perto os vestidos de palco, os prémios, as fotografias antigas e imaginar as tradicionais tertúlias e tocatinas que aconteciam naquelas salas dá uma sensação de quase intimidade com a diva dos pés descalços. Terminámos a manhã com uma visita ao Mercado das Verduras, com as bancas a transbordar de cores, o cheiro a coentros frescos e a simpatia das vendedoras, e logo a seguir no imponente Mercado Municipal, com uma passagem rápida pelo exterior do Palácio do Povo, um edifício lindíssimo, no estilo neoclássico, que serve de residência oficial do primeiro-ministro quando visita a ilha e tem também o Museu do Carnaval.

Onde comer

1. Restaurante Hamburg

Situado na aldeia piscatória do Calhau, entre o mar e a cratera do vulcão Viana, fica este restaurante que é, em si, toda uma experiência. É obrigatória a reserva prévia, porque é ponto de passagem obrigatório para quem anda a fazer visitas guiadas pela zona leste da ilha. Peixe fresco, polvo, carne grelhada, arroz de marisco e as melhores batatas fritas caseiras que já provámos. Tudo isto numa esplanada tasqueira, com um ambiente (odiamos esta palavra mas aqui faz mesmo sentido) autêntico.

Restaurante Hamburg
 V42J+VM4, Calhau, Cabo Verde

Contactos: +238 232 93 09
Facebook | Instagram

2. Casa da Morna

Casa da Morna
Casa da Morna Casa da Morna

Fomos até à Casa da Morna, no Mindelo, para jantar e ouvir música ao vivo, num serão marcado pela conversa com o homem que trouxe este espaço icónico de volta à vida: Pedro Fernandes. O empresário português chegou ao Mindelo em 2013, para produzir camisas para um cliente norte-americano, e acabou por ficar rendido à cidade.

Já com um restaurante aberto em Guimarães — o Buxa, no centro histórico —, soube que a Casa da Morna estava fechada e decidiu recuperá-la. "Fiquei com isto, comprei em 2022", conta, explicando que o processo de negociação com o antigo proprietário, Tito Paris, começou ainda em 2017. O espaço reabriu em 2023 e mantém uma ligação simbólica ao fundador original, que ficou com 20% do negócio. "Ele disse que gostava de continuar a ser a casa da morna que era dele", recorda Pedro Fernandes.

Hoje, a Casa da Morna funciona como restaurante com música ao vivo praticamente todos os dias, exceto ao domingo. Os concertos não têm custo para quem janta. "Quem vem jantar não paga taxa de música. Quem vem beber, paga", esclarece o proprietário. Pelo palco já passaram nomes conhecidos da música cabo-verdiana, e o programa inclui também artistas convidados de fora da ilha.

A proposta assenta na cozinha cabo-verdiana mais reconhecível, como cachupa, peixe assado, e também opções da gastronomia tradicional portuguesa. O preço médio de uma refeição ronda os 20 a 30€, dependendo da escolha entre peixe ou carne.

Onde ficar

1. The Casamarel

Seja para pernoitar, seja apenas para jantar com música ao vivo e vista sobre o Mindelo, esta casa transformada em hotel tem um charme intemporal e autêntico. The Casamarel não é apenas um hotel boutique. É uma casa centenária que domina a baía de Mindelo desde o topo de uma colina e que foi cuidadosamente recuperada para preservar a sua história e personalidade.

Com apenas 10 quartos e suítes, todos decorados com mobiliário artesanal produzido por artesãos de São Vicente e Santo Antão, o ambiente convida a desacelerar, seja à beira da piscina de água salgada, no terraço panorâmico ou no lounge, onde as obras de artistas cabo-verdianos dão ainda mais identidade ao espaço. O charme histórico alia-se a uma forte aposta na sustentabilidade. The Casamarel utiliza energia solar, sistemas de poupança de água, reduz o consumo de plástico descartável e privilegia ingredientes locais e sazonais no restaurante, que serve refeições com vista para o oceano durante todo o ano.

The Casamarel
Alto Santo Antonio 253, Mindelo, Ilha São Vicente, Cabo Verde

Contactos: (+238) 232 1300;  (+238) 592 26 99; info@casamarelhotel.com
Site | Facebook | Instagram

2. Ouril Mindelo

Com uma vista incrível sobre a baía de Mindelo, este quatro estrelas em São Vicente conquistou-nos logo à chegada. O hotel fica mesmo à beira-mar e o conforto é aliado à proximidade de tudo. O grande forte são as piscinas: adorámos a do rooftop, que é perfeita para mergulhos depois de um dia de passeio, mas também há outra piscina no pátio aberto, bem no meio do edifício (além de uma interior com hidromassagem e ginásio para quem quiser). Os quartos são super confortáveis, com ar condicionado, varanda e tudo o que precisamos, com preços a partir de 127€ em quarto duplo.

O pequeno-almoço foi outra grande surpresa — uma combinação perfeita de produtos locais com opções para todos os gostos. Escusado será dizer que nos rendemos à cachupa, que devorámos com o imprescindível ovo estrelado. O hotel tem também o seu próprio restaurante e bar, e comodidades como o Wi-Fi gratuito em todo o lado, receção 24 horas e o serviço de transfers para o aeroporto (que fica a uns fáceis 9 km).

Para quem gosta de explorar, a localização é imbatível. O hotel fica a dois passos de pontos imperdíveis como a Praia da Laginha, a Torre de Belém e o Centro Cultural. Num saltinho também estávamos a passear na Avenida Marginal ou a perder-nos no Mercado Municipal e de Peixe, sem esquecer a parte artística, como o CNAD e o Mural de Vhils.

Ouril Mindelo
Avenida Marginal, Mindelo, São Vicente

Contactos: +238 2324488; reservas.ourilmindelo@ourilhotels.com
Site | Facebook | Instagram

 

Santo Antão

O ferry chega a Porto Novo, um dos três municípios de Santo Antão
O ferry chega a Porto Novo, um dos três municípios de Santo Antão O ferry chega a Porto Novo, um dos três municípios de Santo Antão

A ilha mais montanhosa de Cabo Verde, com o ponto mais alto no Topo da Coroa (1.979 metros de altitude), é repleta de contrastes. Mais húmida e amena do que São Vicente, é o complemento perfeito para quem quer passar umas férias equilibradas, entre natureza e cultura. Santo Antão não tem aeroporto mas chegar à segunda maior ilha do arquipélago requer apenas uma viagem de ferry de cerca de uma hora. A Nôs Ferry faz a ligação diária com São Vicente e o bilhete de ida e volta custa 3000$00 escudos cabo-verdianos (27,21€). Os bilhetes podem ser comprados antecipadamente online.

Mê Maia, em Porto Novo, Santo Antão
Mê Maia, em Porto Novo, Santo Antão Mê Maia, em Porto Novo, Santo Antão

O ferry atraca em Porto Novo, um dos três municípios da ilha, e é logo ali, num bem cuidado jardim, em frente ao Posto de Turismo do Porto Novo que, vigilante, está a Mê Maia. Esta estátua da autoria do escultor Domingos Luísa é uma homenagem à mulher cabo-verdiana. Retrata uma mulher com um lenço, acompanhada de uma criança e de um pilão, simbolizando a resiliência e a força motriz deste arquipélago.

Mesmo que História não seja o seu forte, vai a pena uma passagem, ainda que curta, pelo Posto de Turismo e o Centro de Informação e Interpretação Turística do Porto Novo para perceber melhor as raízes da ilha. Fomos recebidos por Odair Gomes, que nos resumiu os pontos fortes desta ilha descoberta em 1462 pelo navegador português Diogo Afonso.

Posto de Turismo e o Centro de Informação e Interpretação Turística do Porto Novo
Posto de Turismo e o Centro de Informação e Interpretação Turística do Porto Novo Odair Gomes, Posto de Turismo e o Centro de Informação e Interpretação Turística do Porto Novo

Com mais de 600 quilómetros de trilhos, Santo Antão é procurada pelos adeptos de caminhadas e turismo de natureza. A ilha tem cinco áreas protegidas, sendo a Cova do Paul, cratera vulcânica a 1200 metros de altitude, um dos locais mais procurados.

O que fazer

1. Brunch na Cova do Paul com produtos locais

Depois de uma caminhada até ao coração da cratera deste vulcão extinto, chegámos ao Centro Interpretativo Turístico no Parque Natural da Cova, onde nos esperava um brunch ao ar livre, organizado pela empresa santantonense Sabor das Montanhas.

A empresa de Adelino Fortes, criada em 2021, produz e promove produtos locais, ajudando a divulgar não só o que é cultivado e desenvolvido em Santo Antão mas também noutras ilhas do arquipélago. Provámos o café da ilha, feito de forma tradicional, num fogareiro ao ar livre, doces feitos com fruta local, queijo de cabra, fruta, o indispensável grogue e Chã, o famoso vinho branco da ilha do Fogo. Esta experiência pode ser realizada através de contacto direto com a Sabor das Montanhas pelo Instagram ou pelo email sabordasmontanhaslda@gmail.com. Tem o custo de 60€ por pessoa, para grupos com o mínimo de 8 pessoas.

2. Pisar a linha que dividiu o mundo na Ponta do Sol

Na Ponta do Sol, vila situada numa fajã no norte da ilha, fica a linha que mudou o mundo. Só que essa linha é invisível. Falamos da divisão territorial que, em 1494, Portugal e Espanha estabeleceram no Tratado de Tordesilhas, que atribuía metade do mundo à época desconhecido para os europeus a cada um dos reinos.

O tal meridiano imaginário situa-se 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde, mas assinala-se simbolicamente no cais da Boca da Pistola, onde estão barcos coloridos de pescadores e um relógio de sol. É também na Ponta do Sol que se pode visitar o cemitério judaico, construído no final do século XIX, marca da comunidade hebraica que existiu na ilha, e que foi restaurado em 2018.

3. Degustar produtos locais na Nos Caminho

Nos Caminho
Nos Caminho Nos Caminho créditos: TRAVEL MAGG

Um dos mais recentes espaços da Vila de Ribeira Grande, o Nos Caminho funciona como café e também centro turístico. O local perfeito para uma paragem durante um passeio ou depois de um dia de trekking, para degustar um pontche de tambarina, grogue caseira, queijo local e outras especialidades feitas com produtos da ilha.

4. Fontainhas, uma vista colorida (e premiada)

aldeia das Fontainhas
aldeia das Fontainhas aldeia das Fontainhas

E, no meio da paisagem agreste e montanhosa, uma explosão de cor. Agarrada às encostas de Santo Antão, esta pequena aldeia de casas coloridas oferece uma das paisagens mais icónicas de Cabo Verde. A beleza do cenário valeu-lhe um lugar entre as localidades com as melhores vistas do mundo numa seleção da edição espanhola da "National Geographic", tornando-a uma paragem obrigatória para quem visita a ilha.

O caminho até às Fontainhas é quase tão memorável como o destino. Entre curvas apertadas, falésias dramáticas e miradouros de cortar a respiração, cada quilómetro revela uma nova perspetiva sobre uma das ilhas mais impressionantes do arquipélago.

Onde ficar

Mamiwata Eco Village, o paraíso na terra

Já ficámos em hotéis com vistas bonitas, mas o Mamiwata Eco Village acaba com qualquer hipótese de comparação. Inaugurado em 2022, este hotel sustentável parece suspenso sobre a falésia, com os 14 quartos e as três villas virados para o Atlântico. O resultado é um daqueles cenários que prendem o olhar do nascer ao pôr do sol.

Além da localização privilegiada, o Mamiwata distingue-se pela preocupação ambiental. A arquitetura foi pensada para se integrar na paisagem de Santo Antão, dispensando ar condicionado e privilegiando a ventilação natural. A piscina funciona sem produtos químicos e o plástico é reduzido ao mínimo indispensável, sendo utilizado apenas nas garrafas. A gestão é cabo-verdiana, embora o projeto tenha sido criado por proprietários alemães, também responsáveis pela agência Vista Verde Tours. Cada quarto presta ainda homenagem a um dos homens que participou na construção do hotel, enquanto o nome Mamiwata faz referência à deusa africana das águas.

A localização faz deste alojamento é uma excelente base para explorar os trilhos de Santo Antão, muitos dos quais passam nas proximidades. No restaurante Terra Terra, as refeições acompanham a mesma filosofia sustentável do hotel: os ingredientes chegam da horta biológica da propriedade ou de produtores e pescadores locais, dando origem a menus sazonais que mudam consoante o que a ilha oferece nesse dia. Os preços começam nos 130€ por noite para um quarto duplo com vista para o mar, enquanto as villas, equipadas com cozinha e áreas exteriores privadas, são uma opção prática para famílias ou pequenos grupos.

Mamiwata Eco Village
5R7H+HM, Chã de Igreja, Cabo Verde

Contactos: +238 226 11 22; info@mamiwata-ecovillage.com
Site | Instagram

A easyJet voa do Porto e de Lisboa para São Vicente, duas vezes por semana. Do Porto, os voos realizam-se às segundas e às sextas; do Porto às segundas e quintas. De 3 a 7 de setembro, um voo de ida e volta desde Lisboa começa nos 396,98€. Do Porto, de 4 a 7 de setembro, os preços começam nos 336,98€, de acordo com simulação no site oficial da companhia aérea. 

* a TRAVEL MAGG visitou as ilhas de São Vicente e Santo Antão a convite da easyJet em parceria com o Instituto do Turismo de Cabo Verde (ITCV) e com a Actour.