O Império Romano ainda vive aqui. 10 lugares para o descobrir em Portugal

Cidades enterradas, templos, fábricas de peixe e estradas milenares: 10 sítios romanos em Portugal onde a História continua à superfície, 1550 anos depois da queda do Império do Ocidente.

Mais do que livros de História ou documentários, nada como conhecer o passado no presente, e de preferência durante uma escapadinha. E se é apaixonado pelo Império Romano, nada como aproveitar 2026 para conhecer ou revisitar os vestígios deste período em Portugal.

Em 476, Odoacro depôs Rómulo Augústulo em Ravena e pôs fim ao Império Romano do Ocidente, um momento que a historiografia usa como fronteira entre a Antiguidade e a Idade Média. Passados 1550 anos, 2026 é o pretexto perfeito para ir procurar, em Portugal, o que ficou desse mundo: cidades da Lusitânia, termas, pontes, villas rurais e fábricas que sustentaram uma superpotência à escala europeia.
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As escolhas que se seguem privilegiam sítios onde ainda se lê claramente a marca romana: planta das cidades, traçado das ruas, mosaicos, infraestruturas, indústria, lazer, religião e circulação. São lugares que contam, cada um à sua maneira, como se vivia na periferia do império — e como esse universo se transformou quando o poder central desapareceu, mas as pedras ficaram à espera de ser interpretadas.

1. Conímbriga (Condeixa-a-Velha)

Conímbriga
Conímbrigacréditos: © Paulo Brandão

Conímbriga é a grande “capital de ruínas” romana em Portugal, com casas, muralhas, termas, mosaicos e um sistema de aquecimento que permitem imaginar um bairro inteiro de há dois mil anos. O sítio, com museu monográfico, mostra também uma muralha tardia construída em plena crise, que encurrala parte da cidade e materializa o medo de invasões e o fim de um certo modo de vida urbano. Mais informações aqui. ​

2. Cidade romana de Miróbriga (Santiago do Cacém)

Miróbriga
Miróbriga

Miróbriga conserva fórum, templos, termas, ponte e um raro hipódromo, revelando como funcionava uma cidade de média dimensão no sudoeste da Hispânia. O traçado das ruas, as casas e os espaços comerciais contam uma história de administração, culto e negócios num território que ligava interior, litoral e rotas marítimas. Mais informações aqui. 
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3. Ammaia (Marvão)

Ammaia
Ammaia

Ammaia, em Marvão, está ainda mais obrigatória neste roteiro de sítios romanos: as escavações recentes trouxeram à luz uma sepultura do século III, que ajuda a perceber melhor os rituais da morte na antiga cidade. Esta descoberta reforça a importância científica do sítio e dá um novo pretexto para o visitar em 2026, num momento em que o interesse pelo quotidiano romano — da vida à morte — volta à conversa. Mais informações aqui.
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4. Ruínas romanas de Tróia, Grândola

Ruínas romanas de Tróia
Ruínas romanas de Tróia

Na península de Tróia, as ruínas revelam um gigantesco complexo industrial de salgas e conservas de peixe, considerado o maior do género conhecido no mundo romano. Oficinas, tanques, termas, necrópole e habitações mostram o lado fabril de um império alimentado por produtos que daqui seguiam em ânforas para outros portos do Mediterrâneo. Mais informações aqui. 
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5. Templo romano de Évora (“Templo de Diana”)

templo de diana
créditos: Maria Giro/Facebook

No coração de Évora ergue‑se um templo romano do século I, em mármore e granito, remanescente do antigo fórum da cidade de Ebora Liberalitas Julia. A forma como o monumento foi reutilizado ao longo dos séculos e depois “recuperado” como símbolo romano ilustra bem a continuidade entre cidade antiga, medieval e contemporânea. Mais informações aqui. 
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6. Teatro Romano de Lisboa

Teatro Romano de Lisboa
Teatro Romano de Lisboacréditos: José Frade / EGEAC

Escondido durante séculos junto ao Castelo de São Jorge, o Teatro Romano de Lisboa revelou cavea, palco e estruturas de apoio que integravam a Olisipo imperial. O pequeno núcleo museológico ajuda a perceber como o teatro era espaço de espetáculo e propaganda, inserido numa malha urbana que hoje está praticamente coberta pela cidade moderna. Mais informações aqui. 
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7. Ponte de Trajano e termas de Aquae Flaviae, Chaves

Ponte de Trajano
Ponte de Trajano, Chaves

A ponte de Trajano, sobre o Tâmega, conserva ainda 12 dos 18 arcos originais e inscrições dedicadas ao imperador, sendo uma das obras de engenharia romana mais impressionantes do país. As termas e outros vestígios de Aquae Flaviae, nas imediações, completam o retrato de uma cidade termal que vivia em torno da água quente, numa lógica de bem‑estar com eco muito atual. Mais informações aqui. 
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8. Villa romana de Milreu (Estói)

Villa romana de Milreu (Estói)
Villa romana de Milreu (Estói)

A villa de Milreu, perto de Estói, mostra o lado rural e abastado da romanização, com casa senhorial, termas, área agrícola e mosaicos com motivos marinhos. Os restos arquitetónicos e decorativos deixam perceber a importância económica desta unidade no Algarve romano, bem como as transformações que sofreu com a cristianização. Mais informações aqui. 
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9. Sítio romano de Tongobriga (Marco de Canaveses)

Sítio romano de Tongobriga (Marco de Canaveses)
Sítio romano de Tongobriga (Marco de Canaveses)

Tongobriga reúne fórum, termas, casas e estruturas públicas que fazem deste sítio um dos grandes centros urbanos romanos do noroeste peninsular. A leitura ainda clara da malha urbana, em contraste com a ausência de habitantes, reforça a sensação de cidade fantasma e convida a pensar em colapsos e continuidades na longa duração.
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10. Vias romanas da Lusitânia, entre Braga, Porto e Viseu

vias romanas entre braga e porto
Vias romanas entre Braga e Porto

Troços de via romana, pontes e marcos miliários ainda visíveis entre cidades como Bracara Augusta (Braga), Cale (Porto) e Viseu testemunham a rede viária que articulava a província. Estas estradas, muitas vezes reaproveitadas ao longo de séculos, são hoje percursos ideais para caminhar pelas mesmas rotas usadas por soldados, mercadores e viajantes do mundo romano.

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