O governo britânico quer garantir que sentar-se ao lado dos filhos no avião deixa de ser um extra. Segundo a BBC, o Departamento de Transportes vai abrir uma consulta pública para proibir as companhias aéreas de cobrar aos pais o lugar ao lado de filhos com menos de 14 anos, assim que o Civil Aviation Bill, a nova lei da aviação civil, for aprovado no Parlamento.
A proposta abrange também a correção de pequenos erros nas reservas. Pelas contas do governo, um adulto e uma criança podem pagar até 104 libras (cerca de 120€) para viajarem juntos numa ida e volta, e corrigir um engano administrativo pode custar até 40 libras (cerca de 46€).
O primeiro-ministro, Andy Burnham, fala numa ofensiva contra “as pequenas taxas que se vão somando” nas férias das famílias. A ministra dos Transportes, Heidi Alexander, foi mais direta: “Os pais não deviam ter de apertar o cinto só para se sentarem ao lado do filho num voo.” As companhias não aplaudiram. A Airlines UK disse-se surpreendida e a easyJet garante que nunca obrigou famílias a pagar para ficarem juntas. Na leitura da easyJet, a única novidade real é subir a idade de referência de 12 para 14 anos. A Ryanair afirma que “não existem tais taxas” e o presidente executivo, Michael O’Leary, chamou à medida “propaganda para o dia a dia”.
A negação tem, ainda assim, um historial recente. Em junho, a Autoridade da Concorrência britânica abriu uma investigação à política de lugares para famílias da Ryanair, que implicava normalmente uma taxa de 8 libras (cerca de 9€) por trajeto. Duas semanas depois, a companhia mudou as regras: as famílias que não paguem a reserva passam a ter lugares gratuitos lado a lado, provavelmente no fundo do avião.
A mesma lei prevê ainda um sistema de partilha de informação sobre passageiros persistentemente desordeiros. Em 2025, as companhias registaram mais de mil incidentes graves a bordo. O executivo britânico quer as novas regras em vigor antes das férias de verão de 2027.
Quem viaja a partir de Portugal não precisa de olhar para Londres com inveja. A reforma europeia dos direitos dos passageiros aéreos garante que as crianças com menos de 14 anos viajam ao lado do adulto que as acompanha sem custos adicionais. O Parlamento Europeu aprovou o texto em julho. Segundo o Observador, o Conselho da UE deu o aval final dias depois, e as regras entram em vigor um ano e 20 dias após a publicação no Jornal Oficial da UE. Até lá, convém confirmar as condições no momento da reserva.





