A discussão ganhou força depois de a Comissão Europeia ter confirmado que o Entry/Exit System entraria em funcionamento pleno a 10 de abril de 2026, obrigando ao registo digital de entradas e saídas de viajantes de países terceiros, incluindo imagem facial e impressões digitais. Bruxelas apresenta o sistema como uma ferramenta para reforçar a segurança e substituir o carimbo manual dos passaportes, mas a transição está a revelar-se tudo menos suave nos aeroportos com maior pressão de tráfego.
Em Portugal, os primeiros sinais de alerta aconteceram na sexta-feira, 11 de abril, quando a PSP suspendeu a biometria nas partidas de Lisboa, Porto e Faro para evitar que os passageiros perdessem voos devido às filas. A medida mostrou que o problema já não era teórico: o sistema estava a gerar tempos de espera excessivos e a obrigar as autoridades a recuar, pelo menos de forma temporária.
É precisamente aqui que o Algarve entra na equação. Também na sexta-feira, a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), pediu ao Governo a suspensão do EES entre 1 de junho e 30 de setembro de 2026, argumentando que Faro não podia ser apanhado no pico do verão com um controlo fronteiriço capaz de gerar horas de espera. A associação alertou para danos na reputação do destino e lembrou que o mercado britânico pesa fortemente no aeroporto de Faro durante a época alta.
O receio dos hoteleiros é que o problema se transforme num efeito dominó: filas no aeroporto, frustração dos passageiros, pressão sobre companhias aéreas e operadores turísticos e, no fim, uma primeira impressão negativa logo à chegada ao Algarve.
Do lado europeu, a ACI Europe também avisou, na quinta-feira, 9 de abril, que a implementação do sistema estava a provocar disrupções e atrasos significativos, pedindo flexibilidade e melhor preparação operacional.