A easyJet está oficialmente no meio de uma batalha entre dois fundos de investimento norte-americanos. Esta sexta-feira, 10 de julho, a Apollo Global Management apresentou uma proposta de 5,7 mil milhões de libras, o equivalente a cerca de 6,7 mil milhões de euros, superando a oferta anterior da rival Castlelake. O conselho de administração da companhia considerou a nova proposta mais vantajosa e anunciou que deixou de recomendar o negócio anteriormente negociado com a Castlelake.

A proposta da Apollo corresponde a 7,15 libras por ação (cerca de 8,40€), acima das 6,90 libras (cerca de 8,10€) oferecidas pela Castlelake. A reação dos mercados foi imediata: as ações da easyJet dispararam cerca de 15%, refletindo o otimismo dos investidores de que a empresa poderá valer ainda mais caso a disputa continue. A Apollo tem agora até 7 de agosto para apresentar uma proposta vinculativa, enquanto a Castlelake dispõe de prazo até 3 de agosto para responder.

Porque é que a easyJet é tão desejada?

Além de ser uma das maiores companhias low cost da Europa, opera centenas de aviões Airbus, possui direitos de aterragem e descolagem muito valiosos em aeroportos estratégicos como Londres Gatwick e tem uma posição consolidada em dezenas de mercados europeus. Apesar das dificuldades enfrentadas nos últimos anos, devido à pandemia e ao aumento dos custos do combustível, continua a ser vista como um ativo com elevado potencial de crescimento.

Há, no entanto, um obstáculo importante. As regras europeias determinam que as companhias aéreas da União Europeia têm de permanecer maioritariamente controladas por interesses europeus para manterem os seus direitos de operação dentro do bloco. Como tanto a Apollo como a Castlelake são empresas norte-americanas, qualquer negócio terá de ser estruturado de forma a cumprir essas exigências regulatórias, um dos fatores que ainda pode dificultar a conclusão da compra.

Para já, a Apollo parte na frente, prometendo manter a estratégia da easyJet, preservar a marca e respeitar o acordo de licenciamento com o fundador, Stelios Haji-Ioannou. Ainda assim, enquanto nenhuma proposta for formalizada e aprovada pelos acionistas e pelas autoridades reguladoras, a guerra pela companhia aérea britânica continua em aberto.