10 vilas espanholas mesmo ao lado da fronteira para um fim de semana prolongado

Raquel Costa
Espanha
Não precisa de apanhar um avião para mudar de país, nem de ar. Estas 10 vilas espanholas ficam a poucos quilómetros da fronteira e cabem num fim de semana prolongado.

A Guarda

A Guarda

Há quem atravesse meio continente para ver castelos medievais, adegas escavadas na rocha e aldeias de pedra suspensas sobre desfiladeiros. E há quem descubra que tem tudo isso à distância de um depósito de combustível, ou menos. Ao longo dos mais de 1200 quilómetros de fronteira entre Portugal e Espanha, do Minho ao Guadiana, há vilas que os portugueses conhecem de passagem e poucas vezes como destino. É uma injustiça que um fim de semana prolongado resolve.

Depois das 10 cidades espanholas perto de Portugal que já lhe sugerimos, desta vez a escala é mais pequena e o ritmo mais lento. A lista vai de norte a sul e inclui pontes que se atravessam a pé, lagos glaciares, dólmens, templários e um slide que o leva de volta a Portugal em menos de um minuto. Só não se esqueça de acertar o relógio: do lado de lá, é sempre uma hora mais tarde.

A Guarda

Do outro lado do Minho, em frente a Caminha, A Guarda é uma vila de pescadores virada para o Atlântico. O porto continua no centro da vida local, e a lagosta é tão importante que tem direito a festa própria, a Fiesta de la Langosta.

O ponto alto da visita é literal: o Monte de Santa Trega, com 314 metros de altitude. Lá em cima ficam as ruínas de um castro, com vestígios de ruas, habitações e cisternas, e um museu arqueológico. A vista abrange a foz do Minho, o oceano e as montanhas em redor.

Tui

Para chegar a Tui a partir de Valença, basta atravessar a ponte internacional sobre o Minho, desenhada pelo engenheiro Pelayo Mancebo e presença na paisagem há mais de um século. Do lado de lá espera-o um centro histórico com cerca de dez hectares, onde se conservam vários edifícios medievais, muitos do século XV, com os característicos arcos conopiais.

No topo da colina está a catedral de Santa María, consagrada em 1225. É românica, com uma fachada que já anuncia o primeiro gótico da Galiza, e tem mais ar de fortaleza do que de igreja, com torres ameadas, adarves e passadiços. Faz sentido, porque durante séculos esta foi uma fronteira que se vigiava de perto.

Baiona

Foi aqui que, a 1 de março de 1493, Martín Alonso Pinzón chegou com a caravela Pinta, no regresso da viagem de Colombo às Américas. Baiona foi assim dos primeiros lugares da Europa a receber a notícia. Uma réplica da Pinta continua no porto a lembrá-lo.

O castelo de Monterreal, que domina a baía, funciona hoje como pousada, integrada na rede de Paradores. No monte Sansón ergue-se a Virxe da Rocha, uma estátua com 15 metros de altura virada para o mar. Entre uma coisa e outra, há praias nas Rías Baixas que pedem pelo menos uma tarde.

Puebla de Sanabria

Esta vila de pedra e telhados de lousa foi declarada conjunto histórico-artístico em 1994. No alto está o castelo dos Condes de Benavente, construído na segunda metade do século XV sobre uma fortaleza anterior. A poucos passos fica a igreja de Santa María del Azogue, românica do século XII, com acrescentos dos séculos seguintes.

Guarde tempo para o Lago de Sanabria, a poucos quilómetros, que é o maior lago de origem glaciar de Espanha. Está integrado num parque natural e tem uma lenda à medida: a de Valverde de Lucerna, uma aldeia que terá sido engolida pelas águas como castigo por recusar esmola a um pobre. Os sinos da igreja, diz-se, ainda estão lá no fundo.

Fermoselle

Fica a cerca de dez minutos da fronteira, junto aos desfiladeiros do Douro internacional, e é conhecida como a vila das mil adegas. Não é força de expressão: há cerca de um milhar escavadas no granito por baixo das casas, algumas com origem no século X e ligadas entre si por galerias subterrâneas. O vinho da zona integra hoje a Denominação de Origem Arribes.

À superfície, no ponto mais alto do penhasco, restam vestígios do castelo de Doña Urraca, destruído depois da revolta dos comuneros. A igreja da Asunción mistura o românico e o gótico. À volta estendem-se as Arribes del Duero, com o rio encaixado entre paredes de rocha e Portugal na outra margem.

Valencia de Alcántara

Valencia de Alcántara

A cerca de 30 quilómetros de Marvão, esta vila da Extremadura tem com Portugal uma ligação que vai além da geografia. Foi aqui que, em 1497, D. Manuel I casou com a infanta Isabel de Aragão. A Boda Regia recria anualmente o casamento, com mercado medieval e concertos.

O bairro gótico-judaico tem centenas de portais em arco ogival e casas com brasões. A sinagoga, dos séculos XIV e XV, é parecida com a de Tomar. Nos campos à volta há 41 dólmens, classificados como zona arqueológica e parte de um dos conjuntos megalíticos mais importantes da Europa. Se preferir o céu à pedra, o Berrocal de La Data é um bom sítio para observar estrelas.

Alburquerque

Castillo de Luna, Albuquerque

Muito perto da fronteira, Alburquerque vê-se ao longe graças ao Castillo de Luna, uma das fortalezas medievais mais destacadas da Raia. Deve o nome a Álvaro de Luna, condestável de Castela e mestre da Ordem de Santiago, um dos principais responsáveis pela sua construção. Lá de cima avistam-se terras portuguesas.

A subida faz-se pela Villa Adentro, o bairro medieval dentro das muralhas, classificado como conjunto histórico-artístico. Pelo caminho fica a igreja de Santa María del Mercado, construída entre os séculos XIII e XV, com acrescentos barrocos do século XVIII.

Jerez de los Caballeros

Depois da conquista cristã de 1230, Jerez ficou entregue aos cavaleiros templários, a quem deve o nome. Deixaram-lhe o castelo, erguido sobre uma antiga alcáçova muçulmana. Deixaram também a Torre Sangrienta, que, segundo a tradição local, recebeu o nome depois de os templários que ali resistiram terem sido todos degolados.

A vila é também a terra natal de Vasco Núñez de Balboa, o explorador que em 1513 liderou a primeira expedição europeia a chegar ao oceano Pacífico. Hoje, o que se avista primeiro são as torres das igrejas. A de San Miguel é barroca, de 1749, e a de San Bartolomé, de 1759, é decorada com tijolo, estuque e cerâmica colorida.

Aracena

A atração principal está debaixo dos pés. A Gruta de las Maravillas abriu ao público em 1914 e foi a primeira gruta de Espanha a fazê-lo. O percurso passa por lagos subterrâneos, estalactites e estalagmites, e o nome não é exagero de marketing.

Por cima da gruta, o castelo, construído sobre uma antiga alcáçova muçulmana, e a igreja prioral de Nuestra Señora del Mayor Dolor vigiam a vila. À volta estende-se o Parque Natural Sierra de Aracena y Picos de Aroche, uma paisagem de azinheiras, sobreiros e castanheiros que se presta a caminhadas.

Sanlúcar de Guadiana

Em frente a Alcoutim, do outro lado do Guadiana, esta pequena vila é vigiada pelo castelo de San Marcos, uma fortificação de fronteira no alto de um cerro a leste da povoação.

A forma mais divertida de regressar a Portugal é pelo ar. O Limitezero é o primeiro slide transfronteiriço do mundo, com 720 metros e velocidades entre 70 e 80 km/h entre Espanha e Portugal. A travessia dura menos de um minuto e, graças à diferença horária, chega a Portugal uma hora antes de ter partido de Espanha.

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