Há não uma mas três formas de experimentar o Origem, o renovado menu degustação do Gastronómico. O restaurante do The Yeatman, que mantém há nove anos consecutivos duas estrelas Michelin, apresenta agora uma proposta dividida em capítulos. Origem, Capítulo I, conta com 12 momentos. Já o Capítulo II é composto por 16 momentos. A versão vegetariana é composta por 16 momentos.
Apesar de haver incontornáveis, como o Leitão The Yeatman, que se mantêm no menu, o nome e as novas apostas refletem uma direção renovada. “Achámos que, este ano, fazia sentido o nome Origem. Pelo facto de eu estar aqui, pela origem dos pratos, da matéria-prima, pelo significado que tem a palavra, que é uma palavra forte”, explica Ricardo Costa.
O chef aveirense detalha também por que decidiu dividir esta nova fase do Gastronómico em dois capítulos: o I, mais curto, e o II, com a adição de três pratos – Salmonete, Linguado e Leitão The Yeatman. “No ano passado tivemos o restaurante aberto 10 meses, de março a dezembro, e eu todos os meses jantei no restaurante. Quando fazia o menu completo com pairing, sobretudo à noite, achava que era demasiado”, recorda.
Depois dessa experiência, Ricardo Costa começou a testar em si próprio uma sequência de pratos mais reduzida. “Menos quantidade de comida, menos bebida, e saía daqui muito mais ligeiro. Ou seja, estava pronto para trabalhar, estava pronto para outro tipo de coisas”, diz. A repetição dessa experiência acabou por consolidar a ideia de que um menu mais curto fazia mais sentido.
“Então, repeti, repeti, e achei que fazia sentido para o estilo de clientes que nós temos, pelo facto de fazermos jantares e por uma questão de sustentabilidade das equipas, que o menu fosse mais reduzido. Ou seja, eu não tenho de estar a mostrar toda a minha técnica, já toda a gente conhece o meu trabalho”, sublinha.
As necessidades e a procura, em permanente mudança, do segmento em que o Gastronómico se insere também impulsionaram esta viragem. Os pratos irão sendo ajustados e substituídos consoante a sazonalidade, mantendo a matriz e a estrutura original. “Trabalhamos com toda a parte sazonal, temos o nosso prato de tomate, temos os nossos pratos de final do ano com trufa, com cogumelos. Se fizéssemos este almoço em dezembro, o menu seria completamente diferente”, nota o chef.
Mais do que o preço, é o tempo disponível dos clientes – que também se vão renovando – o fator fulcral desta mudança de paradigma. “Falo como consumidor. Eu não tenho paciência para estar ali muito tempo. Se for um três estrelas [Michelin], vou estar a observar tudo e faço o sacrifício. Se for um restaurante com uma estrela, vou pedir para tirar três ou quatro pratos porque não quero estar ali tanto tempo. É um bocado a tendência. Nós sabemos o que é que os nossos clientes pretendem e, em função disso, resolvemos fazer uma coisa mais curta pelos motivos em que eu, como consumidor, acredito – e que os nossos clientes também querem”, conclui Ricardo Costa.
Saiba como correu a nossa experiência
Evolução na continuidade é a expressão que melhor descreve o renovado menu do Gastronómico. Além da manutenção de clássicos como o Lírio, o Frango de Churrasco e as Farturas, com ligeiros retoques, as novidades exibem o que de melhor tem o restaurante do The Yeatman: técnica e arrojo sem causar estranheza.
O choco, em que a textura crocante do socarrat contrasta na perfeição com o exotismo aromático do caril verde, foi para nós a verdadeira estrela da experiência, tal como o Royal de Atum 2026, um prato de intensidade singular que fecha com chave de ouro o Capítulo I e satisfaz até os amantes mais fervorosos de carne.
As sobremesas não nos conquistaram: considerámos o uso do pistácio com chocolate uma alusão cansativa, sobretudo tendo em conta que a trend do “chocolate do Dubai” soa demasiado a 2025 para um espaço que costuma estar à frente do seu tempo. Menção honrosa para o pão artesanal, de fermentação natural, servido com duas manteigas – fermentada e uma manteiga noisette areada, de textura inesperada e sabor caramelizado – que transformou este gesto ancestral numa experiência cheia de curiosidade e gula.
260€ é o valor por pessoa para o Origem, Capítulo I e do Menu Origem Vegetariano. Já o Capítulo II, mais completo, tem o preço de 300€. O menu pode ser harmonizado com três opções distintas: a Prime Selection, um suplemento vínico de 260€; a Yeatman Selection, suplemento vínico de 130€; e a Non-alcoholic Selection, com pairing sem álcool por 120€. A seleção dos vinhos está a cargo de Elisabete Fernandes, diretora de vinhos do The Yeatman.
O prazer que resulta desta experiência única, desde o serviço irrepreensível, liderado por Pedro Marques, premiado chef de sala do Gastronómico, até à criatividade surpreendente das propostas do pairing não alcoólico, passando pela vista única sobre o Douro e o Porto, não tem preço.