Aberto desde agosto de 2025, o Meliá São João da Madeira é o motivo perfeito para visitar o concelho mais pequeno do País. Com apenas oito quilómetros quadrados de território, esta cidade industrial fica entre Aveiro e o Porto, com pontos de interesse pelo meio, mesmo ali à mão de semear, como Arouca e os Passadiços do Paiva, a Ponte 516, Santa Maria da Feira, o seu castelo e a Viagem Medieval (29 de julho a 9 de agosto) e praias como a Torreira, o Furadouro ou Esmoriz.
Dá-se o caso de sermos da terra ao lado e de não terem estado nos nossos planos, até à nossa visita, passar a noite num hotel em São João da Madeira. Mas aconteceu e a experiência não podia ter sido melhor, correspondendo na perfeição àquele cliché de "uma pausa na rotina".
Nascido no Palacete dos Condes Dias Garcia, edifício construído no final do século XIX e início do século XX, este hotel de quatro estrelas tem 93 quartos e suítes, divididos por quatro tipologias, desde o Quarto Meliá à Suite com Terraço. Além de um jardim enorme, que nos recebe logo que chegamos, o hotel, dividido entre o palacete e um edifício novo, perfeitamente integrado pelo estilo abrasileirado do edifício mais antigo, tem garagem, piscina exterior com uma generosa área de espreguiçadeiras, piscina interior aquecida, sauna, spa e ginásio. Abertos também a não hóspedes, o restaurante Conde e o Bar Chapelaria complementam a oferta do Meliá São João da Madeira.
5 coisas que adorámos no Meliá São João da Madeira
1 - A piscina infinita, claro
Há qualquer coisa de profundamente relaxante em mergulhar numa piscina no meio da cidade. E se essa piscina, ainda que num hotel de pequena dimensão, tiver um tamanho generoso e permitir dar umas braçadas, tanto melhor. Deitados numa espreguiçadeira, podemos descansar o olhar na arquitetura e nas cores garridas do palacete ou contemplar a cidade, uma vez que o Meliá São João da Madeira fica num dos pontos mais elevados da cidade. Para os amantes das sessões de fotografias para o Instagram, esta piscina reúne as condições ideais: boa luz, pouca profundidade e um pano de fundo perfeito para aquele post de fazer inveja aos amigos.
2 - os pormenores decorativos com marca local
Chapéus há muitos e São João da Madeira é a terra deles. A cidade possui o único museu dedicado à arte da chapelaria da Península Ibérica e, seja na decoração, um pouco por todo o hotel, seja nos quartos, podemos encontrar vários exemplares. No nosso quarto, um chapéu de palhinha esperava-nos e temos de confessar que muito jeito nos deu desde então. A Viarco, histórica marca de lápis sediada em São João da Madeira, também está presente no hotel sob a forma de um banco de jardim multicolorido.
3 - o restaurante Conde
Nem todos os restaurantes de hotel são bons. A maioria, a não ser que seja de fine dining, não é assim tão especial. O Conde, com propostas gastronómicas focadas nos sabores portugueses e mediterrânicos, é competente e eficaz.
Podíamos também falar do pormenor delicioso da capela que fica ao fundo da sala do restaurante, mas deixamos a imagem na galeria para que possa contemplar este detalhe lindíssimo do hotel.
Provámos um creme de ervilhas, ovo a baixa temperatura e crumble de enchidos (6,50€), que estava untuoso e saboroso. A posta de marinhoa com batata e esparregado (24€), grelhada no ponto e suculenta no interior, estava perfeita. E aquelas batatinhas, cortadas em rodelas grosseiras e fritas na perfeição, fizeram-nos salivar por mais. O único ponto que não nos agradou tanto foi a sobremesa, chocolate e pistácio (14€), demasiado grande e demasiado doce. Na próxima visita iremos provar as outras opções.
O único senão é mesmo a tenebrosa máquina de café industrial a rugir ao pequeno-almoço, mas esse será sempre o nosso cavalo de batalha (que acabamos por perder, invariavelmente).
Seja ao pequeno-almoço, ao almoço ou ao jantar, fazer uma refeição na varanda do Conde, a contemplar a piscina infinita, é uma experiência que deixa qualquer um zen (mesmo que esteja a decidir o futuro da Humanidade... ou da cidade).
4 - A conjugação fluida entre tradição e modernidade
Seja na forma como as soluções arquitetónicas entre os dois edifícios criam uma passagem agradável e sem choques visuais, seja na decoração dos quartos, minimalista e de cores neutras, o Meliá São João da Madeira consegue criar uma harmonia visual entre a traça do palacete e a estrutura moderna de um hotel com quase 100 quartos. E é essa ilusão de aconchego quase caseiro que torna este hotel de quatro estrelas tão apetecível.
Ainda que seja procurado por viajantes em trabalho e para eventos corporativos, nunca se tem a sensação de estar num espaço anódino e frio, com salas, cadeiras e ecrãs funcionais iguais em qualquer parte do mundo, de Lisboa a Singapura.
5 - a consistência da marca Meliá
A marca espanhola nunca falha na entrega de consistência aos clientes. As nossas experiências em hotéis desta cadeia hoteleira têm em comum um ponto que deveria ser transversal a todas as marcas internacionais: a previsibilidade.
Quando entramos num Meliá, seja em Portugal, seja noutro país, sabemos o que vamos encontrar: quartos serenamente decorados, as amenidades essenciais, conforto e eficiência. À semelhança do que já tínhamos relatado no ME Lisbon, onde ficámos encantados com a placa de alisamento Remington, no Meliá São João da Madeira adorámos o facto de haver um secador a sério, de tamanho decente (e não uma miniatura), devidamente apetrechado com um difusor para caracóis.